The Spherical Minds – A Snag in My Collection of Dreams
(play)
Faz algum tempo que partiste.
Faz algum tempo que não sinto um dos maiores valores que me deixaste de Herança.
O teu abraço envolvente.
É tempo demais para que não me desmorone.
É tempo demais desde que te disse:
"Quero que sejas meu."
E foste...
....e ainda és.
Com o tempo que passou, talvez de menos, falaste-me num anel de fogo que te envolvia...
Como sempre, só eu era capaz de sentir o temor nas tuas palavras.
Eu olhava para ti e chorava, mostrando-te o sorriso que te trouxe até mim. Fui tão Feliz junto a ti, deste-me tanto...
Mas eu dei-te mais.
Dei-te as minhas mãos, dei-te o meu ventre, dei-te o meu peito.
Dei-te o meu corpo e a minha alma para lhe cravares todas as agulhas do teu sofrimento.
Tarde percebi que por ser capaz de aguentar toda a Dor que corria nas tuas veias, me transformava num anel de fogo em teu redor.
Eu era Perfeita para o teu conceito de Perfeição.
Tu eras Perfeito para o meu conceito de Amor.
Cada dia mais Perfeita, cada noite mais Ardente.
E por te ter encontrado tão tarde, a cada momento arrependias-te do teu passado.
Eu tive tantos nomes...
...e perdoei-os todos.
Fizeram de ti quem eras no instante em que disseste:
"Quero que sejas minha."
E fui...
...para sempre, até que me desmorone.
Arrependias-te porque vias cada minuto mal aproveitado como uma oportunidade desperdiçada para seres melhor ao meu lado.
Mas tu foste sempre o Melhor ao meu lado.
O Melhor à minha frente quando eu o necessitava.
O Melhor atrás de mim quando tu o necessitavas.
Tão perfeito, até na tua Herança.
Sabes,
quando o Dinis nasceu, imaginei como seria a partir desse momento.
Foi diferente do que eu imaginei.
À medida que ele crescia, e eu te via desaparecer nessa Dor de não lhe chegares, eu esperava que tu pusesses nas minhas mãos mais uma das coisas que não eras capaz.
Mas não foi assim.
Aguentaste tudo. Suportaste tudo.
Porque sabias que,
um dia,
já decomposto,
ele te escreveria uma carta.
Sabes,
ontem, depois de o deitar, encontrei uma fotografia tua onde eu menos esperava...
...dentro da partitura da Elegia que lhe dedicaste.
A tua Herança não é ele, no entanto.
Não é o toque dos teus dedos.
Não são os cabelos que encontro todos os dias no banco do carro.
Não são as palavras que me escreveste.
Não são os sons que me deste, os sons que de ti extraí.
Nem a colecção de sonhos que tivemos.
Não há, não existe, Herança mais valiosa,
do que ser Feliz mesmo depois de teres morrido.
Ass: The One that brought Light to your Sound.
19 December 2007
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1 comment:
Gostei do que vi neste teu cantinho.. Consegues exprimir de maneira bastante realista a Tristeza e a Dor, a Raiva e a Violência.. Parece que não é só através da música que crias sentimentos :)
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