The Spherical Minds – A Snag in My Collection of Dreams
(play)
Faz algum tempo que partiste.
Faz algum tempo que não sinto um dos maiores valores que me deixaste de Herança.
O teu abraço envolvente.
É tempo demais para que não me desmorone.
É tempo demais desde que te disse:
"Quero que sejas meu."
E foste...
....e ainda és.
Com o tempo que passou, talvez de menos, falaste-me num anel de fogo que te envolvia...
Como sempre, só eu era capaz de sentir o temor nas tuas palavras.
Eu olhava para ti e chorava, mostrando-te o sorriso que te trouxe até mim. Fui tão Feliz junto a ti, deste-me tanto...
Mas eu dei-te mais.
Dei-te as minhas mãos, dei-te o meu ventre, dei-te o meu peito.
Dei-te o meu corpo e a minha alma para lhe cravares todas as agulhas do teu sofrimento.
Tarde percebi que por ser capaz de aguentar toda a Dor que corria nas tuas veias, me transformava num anel de fogo em teu redor.
Eu era Perfeita para o teu conceito de Perfeição.
Tu eras Perfeito para o meu conceito de Amor.
Cada dia mais Perfeita, cada noite mais Ardente.
E por te ter encontrado tão tarde, a cada momento arrependias-te do teu passado.
Eu tive tantos nomes...
...e perdoei-os todos.
Fizeram de ti quem eras no instante em que disseste:
"Quero que sejas minha."
E fui...
...para sempre, até que me desmorone.
Arrependias-te porque vias cada minuto mal aproveitado como uma oportunidade desperdiçada para seres melhor ao meu lado.
Mas tu foste sempre o Melhor ao meu lado.
O Melhor à minha frente quando eu o necessitava.
O Melhor atrás de mim quando tu o necessitavas.
Tão perfeito, até na tua Herança.
Sabes,
quando o Dinis nasceu, imaginei como seria a partir desse momento.
Foi diferente do que eu imaginei.
À medida que ele crescia, e eu te via desaparecer nessa Dor de não lhe chegares, eu esperava que tu pusesses nas minhas mãos mais uma das coisas que não eras capaz.
Mas não foi assim.
Aguentaste tudo. Suportaste tudo.
Porque sabias que,
um dia,
já decomposto,
ele te escreveria uma carta.
Sabes,
ontem, depois de o deitar, encontrei uma fotografia tua onde eu menos esperava...
...dentro da partitura da Elegia que lhe dedicaste.
A tua Herança não é ele, no entanto.
Não é o toque dos teus dedos.
Não são os cabelos que encontro todos os dias no banco do carro.
Não são as palavras que me escreveste.
Não são os sons que me deste, os sons que de ti extraí.
Nem a colecção de sonhos que tivemos.
Não há, não existe, Herança mais valiosa,
do que ser Feliz mesmo depois de teres morrido.
Ass: The One that brought Light to your Sound.
19 December 2007
19 November 2007
November.
O Escorpião, quando rodeado por fogo, prefere aniquilar-se com o seu poderoso veneno a morrer queimado.
Will your Love be my ring of fire?
19 October 2007
MAM
(play)
É tudo tão lento.
É tudo...
... tão vagaroso.
Passaram 21 dias.
Continua tudo tão lento.
Permanece tudo...
... tão penoso.
Passaram 21 dias...
...e tudo é e continua
Obscuro e Doloroso.
Este é um dia difícil.
Mais um dia difícil.
Mas um dia especial.
Já não me importa se a Luminosidade te alcançará.
Já não me importa se ela será Forte, nem que a consigas ver.
Porque estou triste.
Porque estou triste?
Porque a Terra...
...já não nos separa.
Hoje,
finalmente,
desapareceste.
Estás, enfim, enrolado num lençol de lágrimas.
As últimas lágrimas que terás.
Hoje,
tristemente,
já não há esperança.
Porque num amanhã breve, precisarei delas.
Recordo-me de que, enquanto te esvaías nos penúltimos suspiros,
eu me encharcava em cegueira.
Porque nunca ninguém quer Conhecer o último.
O telefone tocou.
Chamaram-me.
Uma vida apaga-se como se apaga o teu número do meu telefone.
Vais voltar a olhar para mim.
Vais voltar a ouvir-me dizer aquelas palavras.
Vais voltar a ver-me chorar.
Mas o nome será diferente.
Naquele dia, peguei no telefone.
Marquei um número.
Marquei outro,
e outro,
até que não pude mais.
Entreguei-me.
Por mais Música que escreva,
Por mais Música que de mim extraía,
nada, nunca, irá apagar
todos os gritos,
todos os gemidos,
as vozes de desespero
até ao clamor do teu enterro.
Nunca irás conhecer
aquele que só viu a verdade nos meus olhos,
quando lhe disse que foi muito difícil para mim.
Nunca poderás pegar na mão e agradecer
àquela que obteve o meu abraço envolvente,
nem ouvir estes sons que me cobrem.
Toda a carne apodrece.
Toda a vida desaparece.
Mas nem todos os tecidos no corpo são feitos de sons.
Soubesse eu compor nessa altura,
e substituiria toda a carne morta por Música.
Soubesse eu compor nessa altura,
e teria guardado o som da tua voz.
Nunca mais a ouvi,
porque não quero.
Nem mesmo em registos dos tempos de segurança.
O meu último nome,
morreu ali.
O meu primeiro nome,
morrerá em breve.
Só eu sei como pesava.
Não o teu caixão,
mas o cruel silêncio que eu conseguia ouvir
de lá de dentro.
Eu sei que assististe a tudo,
através dos teus dedos,
tal como eu irei assistir através dos meus.
Peguei no carro,
e à falta da tua voz,
ouvi o que ouves agora.
Interminavelmente.
E para sempre.
...num amanhã breve,
irás olhar para mim.
Irás arder até às cinzas ao contemplar-me,
ao confirmar
que a cegueira e o silêncio me assolam.
Até que dia?
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19 September 2007
19 August 2007
Receio bissexto.
A Swarm of the Sun – I Fear the End
(play)
Parece que foi hoje.
Nem as feridas nas minhas mãos me parecem tão próximas.
Tão quentes.
Ao virar-me para trás, vejo as linhas que uns instantes antes convergiam para um só ponto. Parecem as cordas do que outrora tocaste, dilaceradas, derretidas por um clamor demasiado visceral para ser humano.
Mas vocês não eram humanos.
Um amor assim não existe entre nós. E ao ver-vos envoltos no abrasador abraço dessas linhas, apercebi-me de que não me virei para trás. Eu é que acabei ao contrário.
Vi fumo. Uma breve neblina branca que se desvanecia de imediato. Eram os teus passos.
Passos de quem ama.
Cada um deles, mais perto de quem amaste.
Não te perdoo isso. Nem por momentos hesitei em perdoar-te.
Acudiste-a antes de me acudir a mim.
Que raio de homem és tu? Não me passes esses genes, não os quero para nada, prefiro que corra seiva de uma orquídea morta nas minhas veias a que corra o teu sangue.
Mas tu não tens culpa.
Foi o outro que vos impediu de chegar ao ponto para o qual as linhas convergiam, de tocar o teu amor.
De me trazer para perto esse olhar disperso quando olhavas para mim. Tão disperso que deixou de me doer com o tempo.
Eu sei para onde olhavas.
Olhavas para ti, em busca do teu erro.
Mas tu não tens culpa.
Os teus pais têm.
Ela não.
Era o sangue dela que escorria. Tingia de vermelho as linhas brancas e a cada gota tu ficavas mais fraco.
Levantaste-lhe a cabeça, deste-lhe um abraço.
Seguiste os seus lábios e beijaste-a.
Nada mais em vosso redor importava.
Nem mesmo eu.
Ela não podia morrer hoje, era muito cedo. Tu terias que morrer antes dela.
Serias demasiado fraco para suportar isso com a dignidade dos homens.
Levantei-me.
Ao contrário dos teus, os meus passos não queimavam o asfalto.
Não esbocei o menor uivo de dor.
Foi então que ela acordou.
Eu esperava que ela fosse diferente de ti.
Mas tu não.
Nunca conseguiste entender como é que, depois de um beijo que a trouxe de novo à vida, a primeira acção que ela teve foi perguntar por mim.
Isso foi a tua sentença.
Porque eu sei o que pensaste por momentos.
Desejaste ter ficado dentro das chamas daquela amorfa mistura de metal a ter que viver com aquele momento.
Nunca te perdoaste por ter sequer esse desejo.
Aproximei-me de ambos para nos abraçarmos ao sobreviver a mais um destes dias.
Mas eu não senti o vosso aconchego.
Eu vivi tudo o que vocês passaram naquele instante em que a porta de casa se abriu e senti o sucedido.
Vivi tudo concentrado naquele segundo interminável. As vidas de nós os três.
Eu estava sentado quando o frio me cortou as mãos ao tentar mexe-las para vos tocar e sentir que não era desta que ficaria sozinho, mesmo sozinho.
Nunca percebeste como ela perguntou por mim quando eu nem sequer estava lá.
Talvez daqui por quatro anos eu também esteja convosco. Só então poderás confirmar se foi acaso ou sentimento.
Se lá chegares.
Parece que foi hoje.
Sim, parece que foi hoje, porque o recordo todos os dias.
Ass: Dinis
(play)
Parece que foi hoje.
Nem as feridas nas minhas mãos me parecem tão próximas.
Tão quentes.
Ao virar-me para trás, vejo as linhas que uns instantes antes convergiam para um só ponto. Parecem as cordas do que outrora tocaste, dilaceradas, derretidas por um clamor demasiado visceral para ser humano.
Mas vocês não eram humanos.
Um amor assim não existe entre nós. E ao ver-vos envoltos no abrasador abraço dessas linhas, apercebi-me de que não me virei para trás. Eu é que acabei ao contrário.
Vi fumo. Uma breve neblina branca que se desvanecia de imediato. Eram os teus passos.
Passos de quem ama.
Cada um deles, mais perto de quem amaste.
Não te perdoo isso. Nem por momentos hesitei em perdoar-te.
Acudiste-a antes de me acudir a mim.
Que raio de homem és tu? Não me passes esses genes, não os quero para nada, prefiro que corra seiva de uma orquídea morta nas minhas veias a que corra o teu sangue.
Mas tu não tens culpa.
Foi o outro que vos impediu de chegar ao ponto para o qual as linhas convergiam, de tocar o teu amor.
De me trazer para perto esse olhar disperso quando olhavas para mim. Tão disperso que deixou de me doer com o tempo.
Eu sei para onde olhavas.
Olhavas para ti, em busca do teu erro.
Mas tu não tens culpa.
Os teus pais têm.
Ela não.
Era o sangue dela que escorria. Tingia de vermelho as linhas brancas e a cada gota tu ficavas mais fraco.
Levantaste-lhe a cabeça, deste-lhe um abraço.
Seguiste os seus lábios e beijaste-a.
Nada mais em vosso redor importava.
Nem mesmo eu.
Ela não podia morrer hoje, era muito cedo. Tu terias que morrer antes dela.
Serias demasiado fraco para suportar isso com a dignidade dos homens.
Levantei-me.
Ao contrário dos teus, os meus passos não queimavam o asfalto.
Não esbocei o menor uivo de dor.
Foi então que ela acordou.
Eu esperava que ela fosse diferente de ti.
Mas tu não.
Nunca conseguiste entender como é que, depois de um beijo que a trouxe de novo à vida, a primeira acção que ela teve foi perguntar por mim.
Isso foi a tua sentença.
Porque eu sei o que pensaste por momentos.
Desejaste ter ficado dentro das chamas daquela amorfa mistura de metal a ter que viver com aquele momento.
Nunca te perdoaste por ter sequer esse desejo.
Aproximei-me de ambos para nos abraçarmos ao sobreviver a mais um destes dias.
Mas eu não senti o vosso aconchego.
Eu vivi tudo o que vocês passaram naquele instante em que a porta de casa se abriu e senti o sucedido.
Vivi tudo concentrado naquele segundo interminável. As vidas de nós os três.
Eu estava sentado quando o frio me cortou as mãos ao tentar mexe-las para vos tocar e sentir que não era desta que ficaria sozinho, mesmo sozinho.
Nunca percebeste como ela perguntou por mim quando eu nem sequer estava lá.
Talvez daqui por quatro anos eu também esteja convosco. Só então poderás confirmar se foi acaso ou sentimento.
Se lá chegares.
Parece que foi hoje.
Sim, parece que foi hoje, porque o recordo todos os dias.
Ass: Dinis
19 June 2007
(play)
O movimento parou durante o tempo em que gemias.
Tal foi o efeito, que toda a matéria ressoou na frequência que emitias.
O movimento retornou à massa e à energia - tudo vibrava com as ondas do teu gemido.
Não houve luz durante alguns instantes. Só a tua.
Não houve som durante momentos. Só o teu.
Nenhum coração bateu durante segundos. O teu, apenas.
E eu assistia a tudo isto. Assistia, através dos meus dedos.
Vibrei, contigo, sem contudo acreditar que a tinta das paredes se tinha liquefeito.
Sem crer que o gelo dos glaciares derreteu.
Sem imaginar que apenas uns dias mais tarde iria entender o que o teu calor tinha causado.
As minhas mãos percorriam o verniz que te cobria, ansiando pelos veios que me conduzam à tua essência.
Procurando prolongar para a eternidade os momentos de perfeição que atingimos.
Quando aquele gemido voou de dentro de ti, apercebi-me do que existia no meu interior.
Nada.
Nem uma gota de sangue.
Nem um pouco de sémen.
Nem um pouco de vida.
Apercebi-me de que tinhas levado tudo.
Finalmente, estava entregue.
Ficaste com o meu sangue no que criamos.
Ficaste com o meu sémen no que germinamos.
Ficaste com a minha vida no que te resta até ao fim do teu desmoronar.
Tu sempre me disseste o que eu nunca quis ouvir. Seria uma sensação demasiado forte ouvir dizer, à Voz que por mim geme, tanta Dor.
Tanta crueldade, tanta verdade.
Disseste-me que te fiz renascer quando ele nasceu. Uma Dor tão forte, por saber que foi nesse momento que eu comecei a queda.
Quando aquele gemido voou de dentro de ti enquanto eu descia, apercebi-me do que existia no teu interior.
Nada.
Nada, excepto o que eu te tinha entregue.
Asseguraste-me que ela iria perecer em ti.
A minha esperança.
Só uns dias depois me apercebi do que aconteceu.
Desta vez... não foste capaz de renascer.
Tanta tristeza, e eu sem uma lágrima para chorar nem sangue para te aquecer.
Enquanto estes dias passaram e a escuridão me abraçou, consegui ouvir-te.
Choraste, sem parar.
Ouvi os ecos daquele gemido imenso dentro do teu coração.
E li a tua resposta. O teu gemido foi tão forte, tão audaz e poderoso, que a madeira que me rodeia inscreveu as tuas palavras nos seus veios.
O meu instinto estava certo quando os meus dedos reagiram em busca de ti, como em tantos gemidos.
Foi lá que descobri que o meu abraço envolvente te acompanhará até que te desmorones.
Foi assim que senti o conforto da cal branca.
Uma suavidade que me trouxe descanso.
Um repouso que só tu trarias, no teu peito.
Extingo-me.
19 May 2007
Recebi a tua mensagem.
Ao terminar, respondi-te de imediato.
Verti lágrimas de forma veemente e nelas perdi tanto sangue quanta a força com que o meu coração o expelia. Tanto sangue quanta a tinta que verteste para me escrever. Tentava expelir tudo o que me fizeste sentir.
A minha pele despojou-se de calor.
Os meus olhos despojaram-se de pigmentos.
Os meus braços despojaram-se de todos os movimentos.
Excepto um:
O teu abraço, envolvente.
Olha para mim, agora.
Sem o calor que sentiste, sem a cor que mudava a cada gesto teu.
Olha para mim.
E ouve-me.
Neste instante entendi a tua dedicação. Entendi como te entregaste. E como fui capaz de te suster.
Fui eu que te sustive. Sempre. Quando te abandonaste eu encontrei-te. Quando te perdeste eu levei-te luz. Quando te contorcias de noite em busca do que só eu te podia dar. Por isso me pergunto como foste capaz de nos abandonar.
Não entendo.
Abandonaste-me e partiste para onde a minha luz não te alcança.
Porquê?
Não encontro resposta. Mas sei algo que tu também já deverias esperar. Sei que, sem ti ao meu lado, vou acabar por me desmoronar.
Mas antes...
...tenho algo para te dizer.
Cada peça daquilo que construímos juntos, será cuidada com a mesma dedicação que sempre demos ao som e à luz. À matéria e ao que, não tendo forma, emanava energia transcendente.
À tua perda.
Às minhas conquistas.
Aprendi a sofrer contigo porque cada nervo teu estava dilacerado por anos de desinência, por momentos intemporais de catarse. Aprendemos mutuamente a ouvir na escuridão. Cada passo que davas estremecia todo o meu corpo, sabendo eu o peso neles contido. Cada gemido de dor era para mim um prenúncio de instantes únicos.
Eu senti a empatia de que me falaste no instante em que me beijaste.
Eu vivi a obscura presença da tua atmosfera nublada sempre que me olhavas.
Foi esse teu olhar que me derrotou. Foi o lamento constante que se entrelaçava nos teus dedos que me fez dar-te as minhas mãos para criar.
Assustaste-me naquele dia em que me olhaste e te ouvi dizer, na escuridão, que a única coisa que sabes fazer é morrer.
Pois se em ti não há vida, eu vou cuidar daquela que me deixaste.
Asseguro-te.
Para sempre... até que eu me desmorone.
Vou cuidar dessa forma tão especial de te entregares.
Vou manter-te para sempre no meu coração.
Vou segurar-te sempre, mesmo que a cal te desmanche.
Envolver-te-ei naquele lençol de lágrimas e na torrente de seda que os teus dedos deixaram na minha pele.
Serei eu, mais uma vez, a suster-te.
Termino...
...mas tenho algo a segredar-te.
A tua esperança irá perecer em mim.
Asseguro-te.
Estarás, para sempre,
perto de mim.
Ass: The One that brought Light to your Sound.
Ao terminar, respondi-te de imediato.
Verti lágrimas de forma veemente e nelas perdi tanto sangue quanta a força com que o meu coração o expelia. Tanto sangue quanta a tinta que verteste para me escrever. Tentava expelir tudo o que me fizeste sentir.
A minha pele despojou-se de calor.
Os meus olhos despojaram-se de pigmentos.
Os meus braços despojaram-se de todos os movimentos.
Excepto um:
O teu abraço, envolvente.
Olha para mim, agora.
Sem o calor que sentiste, sem a cor que mudava a cada gesto teu.
Olha para mim.
E ouve-me.
Neste instante entendi a tua dedicação. Entendi como te entregaste. E como fui capaz de te suster.
Fui eu que te sustive. Sempre. Quando te abandonaste eu encontrei-te. Quando te perdeste eu levei-te luz. Quando te contorcias de noite em busca do que só eu te podia dar. Por isso me pergunto como foste capaz de nos abandonar.
Não entendo.
Abandonaste-me e partiste para onde a minha luz não te alcança.
Porquê?
Não encontro resposta. Mas sei algo que tu também já deverias esperar. Sei que, sem ti ao meu lado, vou acabar por me desmoronar.
Mas antes...
...tenho algo para te dizer.
Cada peça daquilo que construímos juntos, será cuidada com a mesma dedicação que sempre demos ao som e à luz. À matéria e ao que, não tendo forma, emanava energia transcendente.
À tua perda.
Às minhas conquistas.
Aprendi a sofrer contigo porque cada nervo teu estava dilacerado por anos de desinência, por momentos intemporais de catarse. Aprendemos mutuamente a ouvir na escuridão. Cada passo que davas estremecia todo o meu corpo, sabendo eu o peso neles contido. Cada gemido de dor era para mim um prenúncio de instantes únicos.
Eu senti a empatia de que me falaste no instante em que me beijaste.
Eu vivi a obscura presença da tua atmosfera nublada sempre que me olhavas.
Foi esse teu olhar que me derrotou. Foi o lamento constante que se entrelaçava nos teus dedos que me fez dar-te as minhas mãos para criar.
Assustaste-me naquele dia em que me olhaste e te ouvi dizer, na escuridão, que a única coisa que sabes fazer é morrer.
Pois se em ti não há vida, eu vou cuidar daquela que me deixaste.
Asseguro-te.
Para sempre... até que eu me desmorone.
Vou cuidar dessa forma tão especial de te entregares.
Vou manter-te para sempre no meu coração.
Vou segurar-te sempre, mesmo que a cal te desmanche.
Envolver-te-ei naquele lençol de lágrimas e na torrente de seda que os teus dedos deixaram na minha pele.
Serei eu, mais uma vez, a suster-te.
Termino...
...mas tenho algo a segredar-te.
A tua esperança irá perecer em mim.
Asseguro-te.
Estarás, para sempre,
perto de mim.
Ass: The One that brought Light to your Sound.
19 April 2007
19 March 2007
Carta a um pai decomposto.
Olá pai.
Bem sei não ser possível que estas palavras te cheguem. Mas mesmo assim, hoje decidi pensar em ti. Decidi mostrar-te alguns pensamentos que tenho tido, e que gostaria de te mostrar. Como fazia em pequeno...
Hoje foi o teu dia... demorei algum tempo a decidir-me. Mas penso que mereces que o faça. Não só tu, mas nós. Para o nosso bem. Sendo o teu dia, decidi recordar alguns momentos, algumas histórias, algumas alegrias e algumas mudanças. Não é isso que os filhos fazem neste dia, celebrar quem os criou? Há várias formas de manifestar, pelo menos, essa gratidão. Eu optei por abrir algumas páginas - algumas contigo, outras sem ti - e com isso escrever uma nova. A tua face branca, óssea, na escuridão, servirá de fundo para eu escrever. Antes de eu mesmo ir ao fundo.
Em toda a minha vida, olhei para ti sem perceber porque te distanciavas. Porque, desde pequeno, a solidão que me contavas ter, acabou por se tornar a minha. Acabou por se transferir das tuas palavras para o meu dia. Não sei o que se passou, nem como passou. Um dia disseste-me que tudo para ti foi uma dor, e que não querias isso para mim. E que temias um dia fazer comigo o que geralmente te sucedia quando algo não corria bem. E...
Tantas palavras.
Que ficaram por dizer.
Tantos momentos, que tu certamente gostarias de ver. Mas se os visses, eles não existiriam. Tal como estas palavras.
Estranha ambiguidade. Deixa-me algo confuso, pois não consigo imaginar-me contigo ao meu lado e ser assim, quanto mais ser assim e dizer isto contigo ao meu lado. Tu és mais feliz assim, é o que me importa. Não conseguirias sobreviver um momento que fosse a olhar para mim e ouvir-me dizer-te: tenho saudades tuas.
Porque sabes que é mentira.
A mentira leva-me ao dia em que me falaste da morte do teu pai. Foi muito difícil para ti, essa é a única verdade que vi nos teus olhos. Não porque ele fosse o teu apoio, o teu elo inquebrável e a tua segurança; mas sim porque tudo que me dizias, era o que um dia temias que eu sentisse por ti. Tudo que descrevias, era o que procuravas evitar que eu um dia pensasse de ti. Esforço vão, o teu. Mas isso tu já sabias quando me deixaste.
Contaste-me que olhavas para ele e não vias aquela pessoa essencial para a tua existência. A ele atribuíste a responsabilidade do que te tornaste. A ele querias trazer de volta para que tudo fosse normal. A ele não querias visitar porque o planeta não comporta tanta água. No fundo, não querias lidar com isso. Muito tarde o admitiste, mas muito cedo para que eu pudesse perceber. E assim, não o evitaste... acabaste por potenciar o meu sentimento. De repulsa, por vezes. Mas isso já sabias quando partiste.
Tentaste, de novo em vão, apertar-me a mão antes de me abandonares, e com isso estrangular a percepção de incompatibilidade entre nós. Sabes, eu ouvia-te falar do teu trabalho, e ficava perplexo. Como pudeste pensar que eu quereria algum dia ser como tu? Não entendes que os teus genes não têm esse Y? Sei que te esforçaste, mas não foi o suficiente. Deverias ter começado mais cedo, deverias ter tentado antes, deverias ter desistido mais tarde. Deverias.... tudo. Fizeste... nada. Conseguiste bater-me no dia em que julgaste alcançar a luz... com a desculpa de que eu não teria nenhum sucesso se olhasse para ti e para o que fazes com orgulho. Arrependeste-te momentos depois e decidiste dedicar-me uma música. Mas queres lá ver que eu ligo alguma coisa a essa tua música? Nessa altura, já me tinhas perdido.
Algo encontrei nesse dia, que a ti devo. Encontrei em mim uma capacidade de superar os sentimentos que tinha por ti. Asseguro-te, não com a vulgaridade da indiferença. Aprendi a re-direccionar o que tu me deixaste de mau para o que eu devo fazer de bom. E foi por isso que deixei aquela casa tão cedo. Porque a tua influência iria determinar que eu não vivesse sequer mais um ano, dure isso o tempo que durar.
É tão curioso... somos tão parecidos e tão distintos.
Somos diferentes mas não merecemos distinção.
Mas há algo em que te admiro.
Foi isso que me fez olhar para ti com outra perspectiva. Ensinaste-me os termos, ensinaste-me a forma, mostraste-me como se comportava, mas não me disseste onde estava. Descobri sozinho, ao ver o que deixaste para trás quando nos deixaste. Algo assim tão forte deveria ter motivos. No fundo tu sabias que isto um dia ia acontecer, que eu iria perceber onde estaria a chave para poder olhar para ti e libertar-te, o que seria a única entidade onde tu residias para sempre e onde aquilo que tu não foste capaz faria sentido: a minha mãe.
Pouco tempo antes de ela se desmoronar, disse-me o que viu em ti. Foi assim que percebi que só ela o teria visto. Porque ela é especial. Tão especial que foi capaz de te transformar. Trouxe-te do fundo do abismo para junto de si. Tornaste-a tão bela que o teu maior desgosto foi eu não ter unicamente os genes dela. Tu tens tão pouco quando colocado ao seu lado... pelo menos, foi o que sempre pensei. Estava errado. Desculpa. Enganado pela forma residual como pensava... ela mostrou-me o que tu tens de especial. Talvez por eu não ter conseguido abrir-me para ti, não tenha tido acesso a isso da forma como ela teve. Ela disse-me que se alguém fosse capaz de entrar em ti de tal forma que te ajudasse a corrigir e viver o que tu sozinho não conseguias sem por isso te abandonar, tu lhe dedicavas um amor incondicional. Disse-me que te rendias com um amor como nenhuma linguagem é capaz de verbalizar. Foi por não te ter ao seu lado para viver o que não eras capaz, que ela acabou por se desmoronar.
E eu...
e eu também, pai. Eu também...
Porque se por um lado todos os pensamentos que tinha sobre ti se dizimaram quando fui capaz de ver isso, por outro, senti-me derrotado. Não por me não teres dado isso que te torna especial... mas porque talvez eu não seja tão especial ao ponto de conseguir entrar em ti e obter esse amor. Isso dói-me tanto que me custa viver cada dia que passo sem ti.
Mas...
...há ainda uma esperança, sabes...
Porque os teus genes estão dentro de mim, e eu sei que essa dor passou para mim sem me aperceber. Começo a sentir que vives em mim. A sentir que, no fundo, eu sou como tu, e que essa forma tão especial de te entregares, é a minha forma de me render. E se esse é o teu legado, resta-me dizer-te o que me trouxe a este pensamento.
Obrigado, pai.
Ass: Dinis.
Bem sei não ser possível que estas palavras te cheguem. Mas mesmo assim, hoje decidi pensar em ti. Decidi mostrar-te alguns pensamentos que tenho tido, e que gostaria de te mostrar. Como fazia em pequeno...
Hoje foi o teu dia... demorei algum tempo a decidir-me. Mas penso que mereces que o faça. Não só tu, mas nós. Para o nosso bem. Sendo o teu dia, decidi recordar alguns momentos, algumas histórias, algumas alegrias e algumas mudanças. Não é isso que os filhos fazem neste dia, celebrar quem os criou? Há várias formas de manifestar, pelo menos, essa gratidão. Eu optei por abrir algumas páginas - algumas contigo, outras sem ti - e com isso escrever uma nova. A tua face branca, óssea, na escuridão, servirá de fundo para eu escrever. Antes de eu mesmo ir ao fundo.
Em toda a minha vida, olhei para ti sem perceber porque te distanciavas. Porque, desde pequeno, a solidão que me contavas ter, acabou por se tornar a minha. Acabou por se transferir das tuas palavras para o meu dia. Não sei o que se passou, nem como passou. Um dia disseste-me que tudo para ti foi uma dor, e que não querias isso para mim. E que temias um dia fazer comigo o que geralmente te sucedia quando algo não corria bem. E...
Tantas palavras.
Que ficaram por dizer.
Tantos momentos, que tu certamente gostarias de ver. Mas se os visses, eles não existiriam. Tal como estas palavras.
Estranha ambiguidade. Deixa-me algo confuso, pois não consigo imaginar-me contigo ao meu lado e ser assim, quanto mais ser assim e dizer isto contigo ao meu lado. Tu és mais feliz assim, é o que me importa. Não conseguirias sobreviver um momento que fosse a olhar para mim e ouvir-me dizer-te: tenho saudades tuas.
Porque sabes que é mentira.
A mentira leva-me ao dia em que me falaste da morte do teu pai. Foi muito difícil para ti, essa é a única verdade que vi nos teus olhos. Não porque ele fosse o teu apoio, o teu elo inquebrável e a tua segurança; mas sim porque tudo que me dizias, era o que um dia temias que eu sentisse por ti. Tudo que descrevias, era o que procuravas evitar que eu um dia pensasse de ti. Esforço vão, o teu. Mas isso tu já sabias quando me deixaste.
Contaste-me que olhavas para ele e não vias aquela pessoa essencial para a tua existência. A ele atribuíste a responsabilidade do que te tornaste. A ele querias trazer de volta para que tudo fosse normal. A ele não querias visitar porque o planeta não comporta tanta água. No fundo, não querias lidar com isso. Muito tarde o admitiste, mas muito cedo para que eu pudesse perceber. E assim, não o evitaste... acabaste por potenciar o meu sentimento. De repulsa, por vezes. Mas isso já sabias quando partiste.
Tentaste, de novo em vão, apertar-me a mão antes de me abandonares, e com isso estrangular a percepção de incompatibilidade entre nós. Sabes, eu ouvia-te falar do teu trabalho, e ficava perplexo. Como pudeste pensar que eu quereria algum dia ser como tu? Não entendes que os teus genes não têm esse Y? Sei que te esforçaste, mas não foi o suficiente. Deverias ter começado mais cedo, deverias ter tentado antes, deverias ter desistido mais tarde. Deverias.... tudo. Fizeste... nada. Conseguiste bater-me no dia em que julgaste alcançar a luz... com a desculpa de que eu não teria nenhum sucesso se olhasse para ti e para o que fazes com orgulho. Arrependeste-te momentos depois e decidiste dedicar-me uma música. Mas queres lá ver que eu ligo alguma coisa a essa tua música? Nessa altura, já me tinhas perdido.
Algo encontrei nesse dia, que a ti devo. Encontrei em mim uma capacidade de superar os sentimentos que tinha por ti. Asseguro-te, não com a vulgaridade da indiferença. Aprendi a re-direccionar o que tu me deixaste de mau para o que eu devo fazer de bom. E foi por isso que deixei aquela casa tão cedo. Porque a tua influência iria determinar que eu não vivesse sequer mais um ano, dure isso o tempo que durar.
É tão curioso... somos tão parecidos e tão distintos.
Somos diferentes mas não merecemos distinção.
Mas há algo em que te admiro.
Foi isso que me fez olhar para ti com outra perspectiva. Ensinaste-me os termos, ensinaste-me a forma, mostraste-me como se comportava, mas não me disseste onde estava. Descobri sozinho, ao ver o que deixaste para trás quando nos deixaste. Algo assim tão forte deveria ter motivos. No fundo tu sabias que isto um dia ia acontecer, que eu iria perceber onde estaria a chave para poder olhar para ti e libertar-te, o que seria a única entidade onde tu residias para sempre e onde aquilo que tu não foste capaz faria sentido: a minha mãe.
Pouco tempo antes de ela se desmoronar, disse-me o que viu em ti. Foi assim que percebi que só ela o teria visto. Porque ela é especial. Tão especial que foi capaz de te transformar. Trouxe-te do fundo do abismo para junto de si. Tornaste-a tão bela que o teu maior desgosto foi eu não ter unicamente os genes dela. Tu tens tão pouco quando colocado ao seu lado... pelo menos, foi o que sempre pensei. Estava errado. Desculpa. Enganado pela forma residual como pensava... ela mostrou-me o que tu tens de especial. Talvez por eu não ter conseguido abrir-me para ti, não tenha tido acesso a isso da forma como ela teve. Ela disse-me que se alguém fosse capaz de entrar em ti de tal forma que te ajudasse a corrigir e viver o que tu sozinho não conseguias sem por isso te abandonar, tu lhe dedicavas um amor incondicional. Disse-me que te rendias com um amor como nenhuma linguagem é capaz de verbalizar. Foi por não te ter ao seu lado para viver o que não eras capaz, que ela acabou por se desmoronar.
E eu...
e eu também, pai. Eu também...
Porque se por um lado todos os pensamentos que tinha sobre ti se dizimaram quando fui capaz de ver isso, por outro, senti-me derrotado. Não por me não teres dado isso que te torna especial... mas porque talvez eu não seja tão especial ao ponto de conseguir entrar em ti e obter esse amor. Isso dói-me tanto que me custa viver cada dia que passo sem ti.
Mas...
...há ainda uma esperança, sabes...
Porque os teus genes estão dentro de mim, e eu sei que essa dor passou para mim sem me aperceber. Começo a sentir que vives em mim. A sentir que, no fundo, eu sou como tu, e que essa forma tão especial de te entregares, é a minha forma de me render. E se esse é o teu legado, resta-me dizer-te o que me trouxe a este pensamento.
Obrigado, pai.
Ass: Dinis.
19 February 2007
Violence
A leitura deste texto deve obedecer à concordância entre segundos e frases. Mais abaixo existe uma frase correspondente aos instantes
05:09 - 04:37 - 04:06 - 03:22 - 02:27 - 02:00 - 01:32 - 00:45 - 00:10
Ouça a música e procure a(s) frase(s) quando esse instante for atingido. De modo geral, são novos momentos. Obrigado - só Anathema poderia fazer esta música.
Anathema
"Violence"
05:09 - 04:37 - 04:06 - 03:22 - 02:27 - 02:00 - 01:32 - 00:45 - 00:10
(05:09)
Há uma Violência tremenda nesta Escuridão que me deixaste.
Há uma Violência tremenda nesta Escuridão que me deixaste.
Há uma Violência tremenda nesta Escuridão que me deixaste.
Há uma Violência tremenda nesta Escuridão que me deixaste.
(04:37)
Todos os momentos se tornaram Obscuros.
Todos os momentos se tornaram Dolorosos.
Todos os meus dias se tornaram Obscuros.
Todos os momentos se tornaram Dolorosos.
Todos os meus dias se tornaram Obscuros.
Todos os momentos se tornaram Dolorosos.
Todos os meus dias se tornaram Obscuros.
Todos os momentos se tornaram Dolorosos.
(04:06)
Violentamente Obscuros e Dolorosos.
Violentamente Obscuros e Dolorosos.
Violentamente Obscuros e Dolorosos.
Violentamente Obscuros e Dolorosos.
(03:22)
O dia em que a Conchada me abraçou
O dia em que os Penedos Altos me abraçaram
O dia em que o Fundão me abraçou
O dia em que a Conchada me abraçou
O dia em que os Penedos Altos me abraçaram
O dia em que o Fundão me abraçou
O dia em que a Conchada me abraçou
O dia em que os Penedos Altos me abraçaram
O dia em que o Fundão me abraçou
O dia em que a Conchada me abraçou
O dia em que os Penedos Altos me abraçaram
O dia em que o Fundão me abraçou
(02:27)
em lágrimas.
em lágrimas.
em lágrimas.
em lágrimas.
(02:00)
Esses dias, os mais Violentos.
Os mais cruéis.
Os mais Tristes.
Esses dias, os mais Violentos.
Os mais cruéis.
Os mais Tristes.
Esses dias, os mais Violentos.
Os mais cruéis.
Os mais Tristes.
Esses dias, os mais Violentos.
Os mais cruéis.
Os mais Tristes.
(01:32)
Mas não mais do que o dia em que a Terra te abraçou.
(00:45)
Quero, no momento em que atinja a Luminosidade que procuro, que ela seja tão Forte, ao ponto de perfurar toda a terra que nos separa, e a consigas Ver. E assim, fechar os olhos, finalmente.
(00:10)
Farei o mesmo, contigo.
Seriam 63, hoje.
19 January 2007
Antevisão
É chegado o momento de criar este espaço.
Um espaço onde predominará a escrita. Quando tal se justifique, áudio e/ou imagem poderão complementar o conteúdo de determinado texto. No entanto, que fique claro, quem aqui se deslocar terá à sua disposição palavras, espero eu, o mais genuínas que consiga alcançar.
Não será necessário explicar o nome deste espaço. Ele transmite-se a sí mesmo e a mim. Além disso, ele será melhor emanado ao longo da vida deste espaço do que através de uma explicação formal.
Colocarei um texto diferente no dia 19 de cada mês. Não serão incluídos quaisquer textos noutras datas ou por motivos especiais. Este espaço foi criado precisamente para veicular palavras uma vez em cada mês em momento próprio.
O conteúdo, sei o que não vai ser: um depósito de pensamentos que me percorram em dado momento, um diário de bordo inútil, ou um espaço de debate. O objectivo contém em si algo semelhante a uma vontade de sublimação à qual espero dar resposta também desta forma que me é bastante próxima. Dir-me-á respeito visceralmente, contudo.
Não existem pretensões literárias neste espaço, dado que isso não é domínio que me pertença. Dou, à literatura, a minha contemplação e admiração.
Chega o momento de inaugurar efectivamente este espaço.
Faço-o com um duplo significado: prestando homenagem e vertendo sintomas do que procuro.
Este texto, transcrito um pouco mais abaixo, pertence a My Dying Bride, no tema "The Prize of Beauty", do álbum Songs of Darkness, Words of Light. Darkness - acompanha-me a cada dia, um pouco mais, sob esta forma: Music. E é também através de algumas Palavras que procuro encontrar alguma Luminosidade. Tenho esperança, embora ela pereça. Dentro de alguém ou de mim, do que escrevo, na pauta ou na partitura.
A forma como este trecho está cantado, decadente e iluminado, doloroso e angustiado, numa espécie de movimento perpétuo, corresponde ao que Darkness e Music significam em mim.
Despeço-me, esperando que o fim deste espaço não se deva à minha "Morte".
"Truly my hope will perish within her.
Truly as always I cannot forgive her.
Cruelly she keeps me near to her.
Forever to this day."
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